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de Débora da Silva Lopes dos Santos[1]

Anna Cláudia Juliace[1]

Museus de ciências educação e preservação

através da divulgação cientifica

Os Museus de Ciências, a partir do século XVIII, perdem seu caráter de grande enciclopédia e passam a ter como papel fundamental a transmissão de conhecimento. Esse fato ocorre devido a evolução das ciências e das instituições museais como institutos de pesquisa que vem sendo perdido pelo caminho do desenvolvimento científico. As coleções científicas fazem parte do patrimônio nacional e por esse motivo fundamental deveriam ser explanadas, explicadas e expostas para que o acesso a informação seja amplo e irrestrito, mas cá entre nós, é isso que acontece?

No século XIX delinearam-se três diferentes grupos como frequentadores dessa tipologia de museus: pesquisadores, estudantes e o público em geral, fazendo com que coleções científicas de ensino e destinadas ao grande público fossem naturalmente delimitadas e apresentadas. Em todo o processo, a coleção através da exposição é o meio de contato entre cientistas e público, independentemente da esfera que pretende ser atingida.

O modo e meio de expor do Museu de Ciência é ou pelo menos deveria ser seu principal veículo de transmissão de conhecimento de divulgação científica, ou seja, seria ideal que a exposição falasse por si só, sem a necessidade de interlocutores, procurando não diminuir obviamente a importância de ações educativas convencionais, mas muito pelo contrário, convidando sempre que possível esse setor a participar do desenvolvimento do processo expositivo e da avaliação final do processo. Ideal seria sempre que possível trazer o público para dentro do circuito, gerando sempre sensação de pertencimento através de abordagem interacionista e evitando o excesso de simplificação da informação para que não haja transposição didática. Importante papel da instituição museológica de cunho científico é transmitir a informação para o público não iniciado no assunto, buscando ser uma das ferramentas para reduzir o chamado “analfabetismo científico”.

Observado como fenômeno, o museu não pode nem deve manter seus conceitos engessados, pois as construções aí encontradas são resultados de discussões, “feedback” e abordagens possíveis. Quando se trata de exposição o foco é o maior instrumento de comunicação possível em uma instituição de ciências onde deveria acontecer a apresentação de resultados e a exposição das pesquisas, seu desenvolvimento, caminhos e conclusões. Segundo Thomas Kuhn, a ciência é um grupo de possibilidades intelectuais, mutáveis, com essa afirmação busca-se derrubar o mito de ciência como saber absoluto, esse processo de “divinização” da ciência interfere profundamente na educação, nas instituições de ciência, já que é importante conhecer e entender a ciência e suas etapas, não apenas concordar e aceitar o produto final apresentado evitando uma abordagem condutivista. Compreender o “fazer cientifico” incluí o público na construção das informações e no modo como a mesma é apresentada.

As práticas de divulgação científica são meios eficazes de educação em museus e possuem em sua gênese o objetivo de aproximar o público leigo das descobertas da ciência, cabendo ressaltar que em uma sociedade de classes existe grande número de pessoas com diferentes graus de conhecimento, na presente abordagem o processo busca atingir a população em geral, não importando o grau de escolaridade. É necessário que os processos sejam analisados, de modo a não remeterem a apenas um esforço pedagógico, para que os cidadãos sejam apresentados aos processos do âmbito cientifico e sim para evitar uma relação unilateral, sendo necessário que haja entendimento da ciência apresentada e para que transformações futuras sejam entendidas, e assim ações de preservação sejam apresentadas.

Nas instituições museológicas de ciências as exposições são o principal vetor de comunicação e educação observando-se pelo viés da divulgação científica, cumprindo seu papel de “produtora” de ciência, fazendo com que o visitante torne-se célula divulgadora para seus pares, reforçando a importância da instituição como divulgadora e estudiosa dos acervos científicos apresentados.

De imensurável importância cabe ressaltar que apenas o que é conhecido é lembrado, e só então se inicia o processo de conservação do material e saberes ali apresentados/representados, e apenas através do conhecimento sendo esta a ferramenta principal na perpetuação de valores de preservação.

[1] Museóloga, especialista em Geologia do Quaternário e Mestre em Patrimônio Geopaleontológico pelo Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional/UFRJ.